Business Agility: Transformação Digital para além da TI

Business Agility é a capacidade de um negócio se adaptar às demandas do mercado. Quanto mais veloz e eficiente, mais ágil ele é. Para que isso aconteça é preciso modificar sua estrutura, seu modelo de gestão e, principalmente, sua mentalidade. Nesse post explico os fundamentos do Business Agile e o que uma grande empresa pode fazer para se adaptar.

Cláudia Bär

Cláudia Bär

March 11, 2021 | leitura de 8 minutos

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Business Agility (ou Business Agile) é a capacidade de uma empresa se adaptar às demandas do mercado. Quanto mais veloz e eficiente, mais ágil ela é. Para que isso aconteça é preciso modificar sua estrutura, seu modelo de gestão e, principalmente, sua mentalidade.

Pensar de forma ágil é pensar em crescimento. É compreender o momento em que o negócio está, onde ele quer chegar e dividir a rota em pequenas partes. É valorizar o coletivo, a experimentação e não ter medo de falhar. E o mais importante: saber quando abandonar uma ideia e mudar de planos.

Ao quebrar um projeto em ciclos curtos, temos a oportunidade de identificar erros com mais facilidade. Assim, também fica mais fácil corrigir o percurso e destravar a espinha dorsal da empresa sempre que necessário.

Porém, vale destacar que o Business Agility não se restringe à equipe de TI. Todos os setores devem adotar este modelo mental, pois este é o primeiro passo para transformar uma empresa de verdade.

Neste post, vou te explicar o que é Business Agile, de onde surgiu esse conceito, quais são seus fundamentos e como ele pode tornar seu negócio mais competitivo.

O modelo tradicional de gestão

O que uma empresa faz quando ela começa a crescer? Provavelmente, ela irá criar setores, hierarquias, processos e algumas burocracias para garantir o compliance, a escalabilidade das operações e a gestão de custos.

Se ela continua crescendo, as áreas se tornam silos, pequenas comunidades que possuem seus próprios fluxos e operam, até certo ponto, de maneira independente.

Isso não é um problema enquanto o mercado e a economia permanecem estáveis. Mas, quando uma quebra significativa no status quo acontece, dificilmente esta empresa terá poder de manobra. Ela se moverá a passos lentos, previsíveis, resistindo contra a tempestade até sucumbir.

Esse é um dos motivos que levam muitos negócios a fecharem as portas em períodos de crise. Momentos como este exigem visão de riscos e oportunidades, velocidade na tomada de decisões, e uma boa dose de flexibilidade na hora de mover recursos - algo que eles os modelos tradicionais de gestão não oferecem.

Então, para as grandes empresas (especialmente aquelas que estão migrando para o digital), adotar um modelo mental ágil é restaurar suas origens empreendedoras, assumindo uma postura propositiva e inovadora.

O que é Business Agility

Business Agility é uma forma de pensar - ou um mindset, como ouvimos falar por aí. Seu objetivo é reconfigurar a cultura e o modelo de gestão de uma empresa para torná-la mais eficiente, criativa e competitiva.

Tem como base as metodologias ágeis de desenvolvimento e quase sempre conta com um empurrãozinho da tecnologia, seja para otimizar processos internos ou criar novos produtos.

O Business Agile é complementar ao Lean Startup e ao Lean Manufacturing, duas filosofias focadas na redução de desperdícios, que nos incentivam a aplicar somente o necessário na realização de uma atividade, etapa ou curso.

Ou seja, ao invés de apostar todas as fichas num super projeto, nos concentramos apenas no que é essencial. A robustez (se necessária) será adquirida com o passar do tempo e o ganho de maturidade digital.

Seguindo estes princípios, uma empresa é capaz de aumentar a produtividade de suas equipes e otimizar o trabalho de todos os colaboradores.

Um pouquinho de história: As 3 ondas da agilidade

É claro que Business Agility não surgiu de um dia para o outro. Vinte anos foram necessários para essa mentalidade se desenvolver e conquistar adeptos.

A 1ª onda veio em 2001, quando profissionais da área de TI formularam o Manifesto Ágil, que reúne ações, ferramentas e estratégias utilizadas no desenvolvimento de softwares. O Manifesto foi uma resposta aos antigos "métodos pesados", que já não atendiam mais às demandas do mercado e só engessavam as coisas. 

A 2ª onda ocorreu entre 2007 e 2010, quando o mercado entendeu que o Agile precisava ser escalável, expandindo sua atuação entre times que estão trabalhando de forma integrada ou num mesmo projeto. Foi nessa época que nasceram os primeiros frameworks.

Então, em 2016,  veio a 3ª onda, pois ficou entendido que o Agile deveria extrapolar a área de TI e se esparramar por toda a empresa, afinal, a entrega de um novo produto não depende apenas desse setor. Foi aí que o termo Business Agility foi cunhado e caiu na boca do povo, dando surgimento ao Design Ágil, RH Ágil, Marketing Ágil, etc. 

O grande legado da 3ª onda foi atualizar a maneira como lideramos as empresas e suas operações, despertando uma cultura de experimentação e aprendizagem (voltaremos nesse ponto mais adiante).

Fundamentos do Business Agile

Como qualquer outra "filosofia", o Business Agile também tem seus próprios fundamentos. São eles:

1. Cliente no centro de tudo

Este é o ponto mais importante para qualquer empresa que é ou deseja se tornar ágil e inovadora. No livro "A estratégia Lean", os autores deixam claro que uma visão estritamente financeira dificulta a compreensão das lacunas entre o que se quer entregar de valor e o que realmente está sendo entregue. Além disso, os resultados são reduzidos a números e não a uma evolução real e contínua de toda a empresa. Este viés faz com que a estratégia se desdobre em projetos problemáticos, com altos custos operacionais e bastante resistência à mudança, afinal, os únicos pontos de vista considerados são o financeiro e o dos clientes internos, ou seja, dos acionistas e lideranças. Porém, vale lembrar que, na maioria dos casos, não somos os usuários dos produtos que desenvolvemos. Por isso devemos cocriar soluções com quem realmente irá utilizá-las no dia a dia e, sempre que possível, realizar testes (como MVPs) de forma sistemática para validar ideias e hipóteses.

2. Decisões baseadas em fatos, e não em achismos

E por falar em validação, as decisões de uma empresa ágil são orientadas por fatos, dados reais e concretos, o que chamamos de data-driven. Para evoluir constantemente, ela precisa aprender a interpretar seus números, pois eles apontam comportamentos, tendências, tornando possível até mesmo "prever o futuro".

Numa empresa data-driven, todo resultado, positivo ou negativo, é compreendido e analisado para encontrar o motivo e definir próximos passos.

Agora, se uma organização sequer possui o mínimo de dados para que possa identificar onde estão os problemas, como ela vai definir um plano de ação?

Tornar-se ágil não é apenas utilizar frameworks, adotar metodologias e novas ferramentas. Sem dados confiáveis e consistentes, tudo o que ela faz é na base do achismo, o que não garante tomadas de decisão eficientes.

3. Fluxo de valor enxuto e ágil

Como entregar valor para os clientes? O segredo do Business Agility é operar em ciclos rápidos (ou sprints), formatados de acordo com os desafios e oportunidades do momento.

Aqui na ateliware, dividimos o desenvolvimento de softwares em pequenas partes funcionais e convidamos nossos clientes para cocriar conosco. A cada entrega, realizamos testes, coletamos feedbacks e pensamos em melhorias. Então, ao invés de dedicar anos a fio na construção de uma ideia, evoluímos gradativamente conforme a demanda até que o produto atinja sua maturidade. Agindo assim, ganhamos muito mais agilidade e flexibilidade, e poupamos recursos lá na frente, que seriam gastos com manutenções e refações.

4. Aprender e inovar continuamente

Ao operar em ciclos curtos, testando soluções e validando ideias, estamos praticando a experimentação. Ou seja, nos colocamos em uma posição de aprendiz, buscando evoluir continuamente para manter-se à frente da concorrência.

No Business Agility, até mesmo a liderança assume essa postura, procurando insights fora de si mesma. Com isso, ao mesmo tempo em que dirigem a companhia, elas também são dirigidas, o que dissolve hierarquias e dá corpo a novas formas de organização sócio-corporativas.

5. Equipes engajadas e confiantes

Numa empresa horizontal, onde existem lideranças, mas todos são ouvidos, as equipes se sentem mais engajadas e confiantes. Todos contribuem com ideias que, mesmo divergentes, são bem vindas para debate. Logo, temos um ambiente seguro, uma empresa que incentiva a autonomia e consegue melhorar sua performance ao manter todos os colaboradores motivados.

Por que  grandes empresas nem sempre são ágeis?

Atualmente, uma das maiores dificuldades das grandes empresas é se adaptar às novas tecnologias e tendências de mercado, já que nem todas são digitalmente nativas, ou seja, nem todas nasceram na Era Digital.

Muitas dessas companhias ainda precisam digitalizar seus modelos de negócios ou, até mesmo, digitizar documentos arquivados em grandes pilhas de papel. Outras, sofrem diariamente com processos desnecessariamente manuais, que são mais lentos e mais suscetíveis ao erro que processos automatizados.

Seja como for, a burocratização total ou parcial interfere na agilidade e no tempo de desenvolvimento da empresa, pois ela não possui a flexibilidade ou mobilidade necessárias para articular mudanças.

Agilidade não é framework

Na educação física, agilidade é a habilidade de modificar o próprio corpo sem perder o equilíbrio e a coordenação. Algo parecido acontece no universo corporativo quando uma empresa adota uma postura mais flexível, capaz de se adaptar a diferentes demandas e contextos.

Portanto, agilidade é um comportamento, orientado por um modelo mental - e não simplesmente a adoção de ferramentas ou frameworks. É claro que estas duas partes aceleram o processo, mas sem uma mudança na cultura, no mindset, não há transformação significativa.

Não faz sentido focarmos na entrega de sprints sem se preocupar com o que será entregue como valor para o cliente. Ao mesmo tempo, não adianta termos uma equipe de TI ágil se as outras áreas, como marketing, comercial e recursos humanos ainda se baseiam em modelos tradicionais de gestão. O ritmo da empresa será descompassado e, com o tempo, desgastante.

Portanto, certifique-se que todos estejam na mesma página, coloque seu cliente no centro de tudo, e não deixe de coletar e analisar dados para recalcular a rota.  Essas mudanças podem ser desafiadoras, mas são o que sua empresa precisa para continuar em jogo.

Cláudia Bär
Cláudia Bär

Redatora | Designer e produtora de conteúdo há 10+ anos. Estuda inovação, tendências de mercado, comportamento humano e é artista nas horas vagas.

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