Ofereça melhor experiência de uso com o Design Emocional

Já se perguntou sobre o que faz um usuário amar ou rejeitar certo produto? Entenda, nesse artigo, como o Design Emocional pode auxiliar no sucesso de um produto digital projetando interfaces emocionalmente adequadas e de experiência agradável.

Giovana Schnorr Vendramini

Giovana Schnorr Vendramini

March 16, 2021 | leitura de 4 minutos

design

As emoções fazem parte das nossas vidas, afetando a forma como pensamos, interagimos, sentimos e nos relacionamos. Essas sensações não se limitam somente ao mundo físico, ao interagir com uma interface tendemos a nos comportar de forma similar quando nos comunicamos com outras pessoas.

O autor de "Design for Emotions", Aarron Walter, adapta a hierarquia da necessidade de Maslow e cria a pirâmide de necessidades do usuário, como vocês podem ver abaixo:

Ele fala que a característica básica de qualquer produto é sua funcionalidade, por isso essa característica fica na base da pirâmide, na sequência vem a confiabilidade, onde nos questionamos se aquele produto pode ou não ser confiável de usar. Seguindo, então, para a usabilidade, onde interagimos com o produto e distinguimos se, para nós, é fácil ou difícil de usar. Por fim, no topo da pirâmide temos o prazer, que transmite a forma como nos sentimos ao interagir com o produto.

Por isso, tão importante quanto pensar nas funcionalidades da interface e na estética dela é essencial procurarmos maneiras de humanizá-la. Converse com o usuário, faça-o sentir parte de algo.

A interface e os 3 níveis do Design Emocional

Pela perspectiva do Design Digital entendemos que ao entrar em contato com uma interface, estabelecemos uma relação de troca com ela e agregamos aspectos emocionais de forma inconsciente que, por sua vez, influenciam diretamente na interação do usuário, afetando a experiência de forma positiva ou negativa.

Para exemplificar a influência da resposta emocional na experiência do usuário e porque algumas produtos físicos e digitais agradam mais do que outros, Don Norman, em seu livro "Emotional design: Why we love (or hate) everyday things" separa essa resposta emocional em 3 níveis emocionais:

Visceral (aparência)

Trata do primeiro impacto que um produto nos causa. Nesse estágio de interação são analisadas as características visuais da interface, e nos faz julgá-la rapidamente, sem uma avaliação profunda. Por tanto, aqui são resgatadas impressões relacionadas à experiência, vivência e cultura do usuário.

"Um produto que atraia a pessoa nesse nível intuitivo pode fazer com que os usuários superem problemas de usabilidade".

Comportamental (prazer e efetividade de uso)

Diferente do nível Visceral, que aborda nosso subconsciente. O nível comportamental, trata a experiência de uma maneira mais tangível. Onde diferentes tipos de emoções afloram diante da interação do usuário. Aqui, a usabilidade é super importante, o que conta é o desempenho do produto, reconhecendo as qualidades, funcionalidades e a satisfação que o usuário sente ao interagir com a interface.

Reflexivo (auto-imagem, satisfação pessoal e lembrança)

No nível reflexivo voltamos ao subconsciente. O terceiro nível trata das reflexões de ações tomadas pelo usuário anteriormente. Abrangendo as memórias afetivas e os significados culturais e individuais atribuídos ao seu uso.

O Design Emocional como ferramenta de design

Dito isso, como podemos utilizar o Design Emocional como uma ferramenta para o desenvolvimento de produtos digitais? Bem, você pode seguir essas dicas:

Estimule emoções com elementos visuais

O uso de elementos visuais de forma adequada estimula uma conexão entre o usuário e a interface. Tente transmitir aquela sensação de "amor à primeira vista". Capriche na UI do seu produto e fique atento à hierarquia visual.

Entretenha com micro interações

Projetar micro interações não é sair animando interfaces por aí. Existe um cuidado, um entendimento do público alvo e do tom de voz da marca. As micro interações transmitem uma resposta direta, agradável e sutil ao usuário resultando em sensações positivas, essencial para a efetividade de uso do produto.

Saiba se comunicar com seu público alvo

No meu artigo sobre UX writing aqui no blog falo da importância de dialogar com o usuário de maneira humanizada. Ajude o usuário a completar seu objetivo e atender suas expectativas.Direcione o caminho, apresente o conteúdo com clareza, sem enrolações.

Evite sentimento de Frustração

Para evitar frustrações e alcançar as expectativas é importante entendermos quais serão os objetivos do usuário e quais necessidades a interface deve satisfazer. Com feedbacks, por exemplo, orientamos a navegação e atualizamos os usuários de suas ações. Se algo deu errado é dever da interface amenizar esse sentimento, e possibilitar uma forma de retorno ao passo anterior.

Portanto, é essencial que os 3 níveis (visceral, comportamental e reflexivo) estejam alinhados e bem projetados. Devemos entender as emoções como uma "ferramenta" de Design e projetar interfaces que proporcionem experiências positivas que façam o usuário voltar a usar o produto e indicar para outras pessoas. Assim, o Design Emocional te ajuda a buscar bons resultados e entregar valor e sucesso ao seu produto.

Referências:
- Don Norman - Design Emocional: Por que Amamos (ou Odiamos) as Coisas
- UX Collective - O que é design emocional?
- Clint Digital - Hierarquia das necessidades de Maslow
- UX Planet - Designing emotional UI
- Muzli - The Art of Emotion: Norman's 3 Levels of Emotional Design
Giovana Schnorr Vendramini
Giovana Schnorr Vendramini

UX/UI Designer | Adoro divagar sobre os mais diversos assuntos. Sou fascinada por design, cultura geek, viagens e não saio de casa sem meus fones de ouvido.

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