Design é importante?

Sim. Saiba mais sobre como uma equipe de design soluciona problemas, foca em resultados reais e propõe valor mensurável para todos os tipos de produtos através de um processo que vai além do que os olhos veem.

Viktor Dopke

Viktor Dopke

November 25, 2021 | leitura de 6 minutos

design

Consumimos conteúdo visual e interpretamos e raciocinamos imagens na internet cada vez mais, mas ainda sim, para muita gente, o design é considerado um luxo, voltado a empresas que querem ficar mais bonitas. Gigantes como Google, Apple e Netflix discordam. 

De acordo com o designer e escritor Scott Berkun (autor de How Design Makes the World), a melhor maneira de explicar como o design é importante para alguém é levando o design para o seu próprio mundo. Por exemplo, o que a pessoa gosta de usar, ter, vestir ou comprar e o porquê. O mais interessante dessa dinâmica é que a resposta sempre vai estar relacionada a decisões de design, como: "Gosto desse celular porque é mais fácil de carregá-lo. Tenho esse carro porque ele é mais confortável. Prefiro essa casa porque nela há um espaço maior na cozinha."

Para um negócio, o inverso também é verdade: sabemos exatamente por que não usamos mais algum aplicativo, já que é difícil de consultar algo nele (ou não gostamos de um fone de ouvido porque a conexão com o celular é ruim ou o equipamento machuca a orelha). Todos esses problemas também são decisões de design.

Em um mundo onde um produto digital é disponibilizado para todos e empresas podem atender milhões de pessoas de uma vez só, ter uma maneira de desenhar e mensurar a satisfação de todas essas pessoas é muito importante.

Sendo assim, de acordo com um estudo da McKinsey, o valor do design pode ser medido através de quatro proposições variadas. Confira algumas.

1 - Liderança analítica

Pautada por detalhes de dados de usuário, performance das jornadas de atuação de um produto e um time de análise capaz de transformar métricas rigorosas, comparadas a um investimento real, em sinais de performance financeira.

2 - Talento compartilhado

O entendimento de que o processo de design não é exclusivo ao time de UX/UI, de que se estende a todos os colaboradores envolvidos em um produto digital desde a organização do time de desenvolvimento até a experiência de venda.

3 - Iteração contínua

Não somos idealizadores do processo de design. Somos ouvintes. Por isso, o processo de descobrimento, entendimento e repetição do design através do feedback que recebemos dos usuários finais é uma das bases de uma ação eficaz.

4 - É sobre a experiência do usuário

Não importa o quão legal fica o desenho na tela. Se não tem sentido para quem usa, não funciona. Trabalhar a experiência final significa entender para quem estamos desenhando esse produto, o porquê e grudar esse objetivo em uma bússola como o norte do projeto.

Por fim, o equilíbrio entre as quatro metodologias citadas resulta em um produto de design com valor mensurável.

Gerar valor através do design

Uma das funções principais do designer (seja gráfico, UX, UI ou de Interação) é traçar um objetivo usando algum meio (físico ou digital) que solucione um problema e gere valor para um negócio.

Embora a qualidade visual de um produto seja subjetiva aos olhos do usuário, a proposta de valor não é.

Te dou 2 reais para cada 1 real que você me dá. Você aceita esse negócio?

No exemplo acima, a proposta de valor é tangível e norteia um negócio para aquilo que vale mais para os seus usuários/clientes. O nosso papel é tornar claro qual é o valor envolvido nesse processo.

Qual é o valor do design?

Você pagaria R$ 100 por um botão de paletó velho? Sabiamente que não. Mas e se você soubesse que esse botão pertenceu ao renomado cantor da banda Queen, Freddy Mercury? Ou quem sabe ao seu avô e traz memórias da sua infância que você nem lembrava que existiam mais?

Por esses e outros motivos entendemos também que valor é algo subjetivo, atrelado ao comprador, não ao produto. Não existe uma solução para todos, apenas para os clientes que se identifiquem com o seu produto.

Mas, então, como faço para encontrar compradores que valorizem o produto/serviço que ofereço?

A melhor maneira de atingir o objetivo do seu comprador ideal é o uso de dados e métricas de experiência do usuário. É através deles que uma equipe de design é capaz de tomar decisões que vão além das aparências e solucionem dores dos usuários que mais se relacionam com o seu tipo de negócio.

O poder das métricas

A capacidade de medir o sucesso de uma decisão de design é um dos maiores pontos de valor que podem ser gerados para uma empresa. Essa análise racionaliza as decisões tomadas e revela o que incomoda o usuário. O resultado é um produto amável, que fica na memória do seu usuário e que gera retorno muito superior ao seu negócio.

  • Companhias operadas com base em design têm a performance superior à das presentes ba S&P 500 por 211% (DMI)

  • Cada dólar gasto em UX rende entre US$ 2 a US$ 100 (Peter Eckert - Fast Company)

  • Negócios focados em design aumentam suas rendas 32% mais rapidamente do que seus concorrentes. (McKinsey)

Design não é só aparência

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Essa ideia de passagem de avião chama muito mais atenção do que a versão impressa em preto e branco. Por que não atualizamos esse design?

Hoje em dia, vemos cada vez mais interfaces bonitas, que chamam a atenção - e às vezes caímos no equívoco de pensar que, se algum design é mais simples ou antiquado, ele é um design ruim. Veja, por exemplo, o design dos tickets de aviões. Muita gente diz que o design é ultrapassado e que poderia ser mais moderno, talvez até substituído por um app. Mas o verdadeiro motivo dessa aparência quando se fala de cartões de embarque é a necessidade de que sejam todos lidos pelas máquinas dos aeroportos ao redor do mundo, que nem sempre vão ser de última geração. (Scott Berkun - How Design Makes the World).

Então, o design pode sim ser um luxo ou uma maneira de deixar a sua empresa mais atraente em um mercado competitivo, mas, ainda sim, o design é hoje uma ferramenta subutilizada, que vai além do que vemos. Ele engloba decisões voltadas para a experiência ideal do usuário final, gerando um nível de satisfação que pode mudar o curso de um negócio. Graças às ferramentas das quais dispomos, somos capazes de medir exatamente como esse valor determina o sucesso de um produto digital.

Referências
How Design Makes the World (Scott Berkun)
Michael Janda
The Futur
DMI
Fast Company
McKinsey
Viktor Dopke
Viktor Dopke

Formado em Cinema e graduando de Arquitetura. UX Designer. Nas horas vagas, gosto de marcar festas secretas para viajantes do tempo.

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