Transformação digital na saúde: Desafios e oportunidades

Para nos tornarmos uma empresa inovadora, precisamos, primeiro, mudar a cultura e o modelo de negócios. A partir daí determinamos qual tecnologia irá agregar maior valor aos usuários. Conheça os desafios e as oportunidades da transformação digital na saúde.

A base da transformação digital na saúde, assim como nos demais setores, está na adoção de novas tecnologias. O foco, porém, é a reestruturação do modelo de negócios e a adoção de uma nova cultura empresarial.


Tais mudanças refletem nos processos de gestão e se desdobram em novas formas de diagnosticar, tratar e prevenir doenças. Dessa forma, são usufruídas tanto pelos profissionais da área quanto pelos pacientes.


O que é transformação digital?

Para alcançar a tão sonhada inovação, não basta apenas adotar novas tecnologias. É claro que elas desempenham um papel fundamental na transformação digital, mas a mudança de cultura e a atualização do modelo de negócios são igualmente importantes.


Inovar é compreender necessidades e propor mudanças, é ter novas perspectivas e antecipar tendências, adaptando-se ao mercado antes da concorrência. Para inovar precisamos pensar de forma ágil - e é isso que a transformação digital proporciona às empresas. A tecnologia é incorporada na estrutura, faz parte da metodologia e também de seu mindset. 


Ou seja, um bom processo de transformação digital atua em três frentes: 

  1. Experiência do usuário;
  2. Processos operacionais;
  3. Modelo de negócios. 


Transformação digital na saúde

Em uma pesquisa divulgada no Healthcare IT News, gestores da área da saúde classificaram como prioritária a inovação nos processos operacionais e financeiros. A experiência do paciente, por sua vez, ficou em segundo lugar.


Por esse motivo, clínicas, hospitais, laboratórios e afins estão investindo em transformação digital para ganhar competitividade, garantir a satisfação dos usuários e sair na frente. 


Entre as principais tecnologias aplicadas, temos:


Inteligência artificial: Utiliza o aprendizado de máquina para auxiliar diagnósticos e análises detalhadas de relatórios médicos, contribuindo para a prevenção, identificação e tratamento de doenças;


Big Data: Recolhe e processa grandes volumes de dados, identificando padrões que facilitam a tomada de decisão. 


Internet das coisas (IoT): Coleta e monitora informações médicas, facilitando diagnósticos. Aqui também encontramos os wearables, dispositivos na forma de acessórios (relógios, pulseiras) que medem sinais vitais, entre outros. 


Impressão 3D: Possibilita a criação de itens personalizados que se encaixam às necessidades de cada paciente, além da produção de próteses, órgãos e tecidos humanos.


Realidade aumentada e realidade virtual: Utilizadas no treinamento de médicos, simulação de ambientes cirúrgicos e assistência na execução de procedimentos;


Computação em nuvem: Permite armazenar e acessar dados “na nuvem”, isto é, sem a necessidade de servidores locais. Essa opção economiza recursos e facilita o acesso aos dados do paciente, que podem ser conferidos a qualquer hora e em qualquer lugar sem comprometer a segurança. 


Na pesquisa que citamos anteriormente, 73% dos gestores entrevistados consideram as ferramentas de gerenciamento e análise de dados como as mais importantes. Inteligência artificial e computação em nuvem ficaram em segundo e em terceiro lugar, respectivamente.


Principais benefícios

As tecnologias acima podem ser incorporadas individualmente ou em conjunto. A inteligência artificial aliada à big data, por exemplo, reduz custos, agiliza processos e melhora o atendimento, pois além de diminuir o tempo de espera nos consultórios, possibilita diagnoses mais rápidas e precisas.


Os principais benefícios da transformação digital na saúde, são:



Rotina mais ágil

Acompanhar tratamentos, prescrever e renovar receitas, solicitar e avaliar exames, diagnosticar doenças, realizar pesquisas… Essas  são apenas algumas das atividades de um profissional da saúde, cujo dia a dia é bastante complexo.


Nesse contexto, a digitalização de processos e o uso de novas tecnologias agiliza uma série de atividades, inclusive administrativas.


Nos “bastidores” de uma clínica temos a gestão financeira, de pessoas e de relacionamento, bem como uma constante preocupação em aumentar a produtividade e a qualidade dos atendimentos. Todos esses pontos são beneficiados com a transformação digital. 



Melhor atendimento

Com a inteligência artificial e o big data, profissionais da saúde tem rápido acesso aos dados de um paciente, podendo realizar diagnósticos mais precisos. Além disso, é possível compartilhar essas informações com outros médicos e discuti-las em tempo real. 


As mudanças também ocorrem fora do consultório. A implementação de novas tecnologias pode acelerar o tempo de espera nas recepções bem como na obtenção de exames, prontuários e receitas.



Redução de custos

A transformação digital abranda significativamente os custos na área da saúde. De acordo com a PwC, o uso de dispositivos móveis para acompanhamento médico poderia economizar 14 bilhões de dólares no Brasil. 


Mais pessoas poderiam ser tratadas se reduzíssemos a necessidade de deslocamentos. Com isso, teríamos uma maior prevenção de doenças e, por sua vez, em um número maior de pessoas saudáveis. 



Superando desafios

Um estudo da McKinsey, revelou que os maiores impeditivos da transformação digital nas empresas são fatores culturais e comportamentais. Entre eles, estão:


  • Aversão ao risco;
  • Falta de foco;
  • Distanciamento do cliente;
  • Mentalidade de departamento. 


Em seguida, temos a falta de conhecimento de aplicações e tendências digitais, bem como a falta de infraestrutura e talentos de TI


Vamos explanar como essas situações se apresentam na área da saúde e possíveis caminhos para resolvê-las:


Aversão ao risco

Na saúde, a mudança de cultura é especialmente desafiadora, pois o setor possui uma característica intrínseca de assumir poucos riscos. Afinal, tais alterações podem influenciar o bem estar dos pacientes. 


Entretanto, a transformação digital não precisa ser abrupta. Podemos começar verificando o quanto a equipe é aberta à mudança e seu nível de conhecimento em relação às ferramentas que poderiam ser aplicadas. Depois, avaliamos o quão adaptável é a cultura corporativa para, então, definir metas para o processo de TD. 



Falta de foco

As tecnologias digitais abriram tantas oportunidades que a instituição pode perder o foco e não saber qual caminho seguir. Para evitar esse problema, tenha um objetivo bem definido. Sua estratégia determinará qual ferramenta você irá utilizar.


Reflita: qual é a sua missão? Qual posicionamento deseja conquistar no mercado? Como você quer ser lembrado pelos seus pacientes? As respostas para estas perguntas trarão o foco necessário.



Distanciamento do cliente

Empresas inovadoras são centradas no usuário, ou seja, compreendem que o seu modelo de negócios visa atender as necessidades de seus clientes. Ao mesmo tempo, consideram possíveis mudanças comportamentais , adaptando-se às novas tendências com facilidade. Por isso, trazer o usuário para perto é fundamental para a inovação - inclusive no processo de cocriação de soluções


A coleta e a análise de dados é outro fator importante. Com estas informações, a instituição ganha uma visão mais estratégica, podendo solucionar problemas e tomar decisões mais rapidamente. Este olhar estratégico também gera mais insights para o negócio.


Mentalidade de departamento

Equipes divididas, focadas exclusivamente em suas atividades entravam a transformação digital na saúde e nos demais setores. Para combater a mentalidade de departamento é preciso tornar os fluxos de comunicação mais fluidos, incentivando a colaboração e o troca de conhecimento.


Quando um colaborador tem uma visão do todo, e não apenas de uma parte da empresa, fica mais fácil identificar ameaças e oportunidades. Essa dissolução também aumenta o engajamento, a produtividade e potencializa a inovação. Portanto, considere reformular a cultura, incentivando a participação de diferentes áreas na busca por soluções.    


Conclusão

Inteligência artificial, big data, computação em nuvem… Estas e outras tecnologias impulsionam a transformação digital na saúde, mas são apenas o meio. A verdadeira inovação começa pela mudança de cultura. Precisamos superar a aversão à mudança, a mentalidade de departamento e manter o cliente por perto. 


Mas o mais importante: precisamos encontrar foco. Qual é o principal objetivo? Como chegar lá?  Como se posicionar no mercado? Como gerar valor para os usuários? As respostas destas perguntas norteiam a estratégia, que por sua vez determinará a melhor tecnologia. 


Diego Silvi

Business Development | Uma boa cerveja, um bom café, ciência, tecnologia, religião, política, e tudo aquilo que nos tire da monotonia.

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